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  • Foto do escritorJonas Silva

Descobrindo o Planalto Paranaense - Faxinal, tirolesa e cânions

Atualizado: 23 de mar. de 2022

Estivemos nessa pequena cidade paranaense no ano de 2019. Foi uma aventura incrível. Bastante sofrida, já que pilotávamos um veículo não adaptado às estradas, elas não são tão ruins por aqui, no entanto um carro baixo sofre seus impactos.

Faxinal possui dezenas de cachoeiras e aos poucos vão surgindo muitas outras opções de atividades. Ainda há muito que se desenvolver, infelizmente há muito preciosismo e bastante ego entre as agências e pessoas que fazem o turismo na região. Essa é uma barreira que deve ser superada logo, e que é facilmente contornada por aqueles que estão dispostos a preparar seus próprios percursos.

Dada as ressalvas, é o tipo de atividades que curtimos, então fomos logo organizando uma rota que contemplasse as atividades que ficaram de fora da outra vez, deixasse de lado algumas menos relevantes e fosse possível de ser realizada em grupo, contemplando duas crianças.


Dia Primeiro - Estamos de volta!

Fomos premiados logo na estrada. Assim que saímos na PRC 272 o sol vermelho levantou-se gradativamente no leste e nos acompanhou por cerca de 20 km até ficar completamente exposto aumentando a expectativa para o dia que apenas começara.

Depois de uma parada no Restaurante Trevo, cruzamos a cidade para o sul até a estrada que nos levaria à primeira parada, o Hotel Fazenda Luar de Agosto. Logo depois do lago municipal a primeira placa indica a estrada à direita, é por ela que seguimos os próximos quilômetros.

Logo que entramos na estrada começamos a deslumbrar o cenário que envolve o município, são colinas escarpadas e vales profundos por todos os lados, no fundo dessas depressões correm leitos de água cristalina e gélida formando cascatas e poços ideais para banho.

A primeira depressão à direita é onde está o Rio São Pedro, cujas margens dão vida ao hotel fazenda. Chegar à sede do Luar de Agosto já é um teste de adrenalina, são cerca de dois quilômetros serpenteando o vale, na metade da descida já podemos ver o ponto de chegada da tirolesa, uma das maiores e mais alta do estado.

Na recepção fomos informados dos dois horários disponíveis para a tirolesa: às 09:00 e às 14:30. Optamos pelo segundo, pois queríamos aproveitar o sol ameno da manhã para percorrer a trilha mais longa da propriedade até o atrativo principal, o gigante Salto São Pedro.

A trilha da serra tem aproximadamente 4 km e sobe todo o vale pela esquerda da propriedade. Começamos a subir logo depois do camping, contornando o lago e caminhando pelo corte de uma antiga estrada. A muito largada, hoje restam apenas as voçorocas e alguns traços usados pelo gado, é preciso seguir a intuição para se encontrar no mapa recebido na recepção.

Uma vez que alcançamos a mata a trilha ganha dificuldade. Começam a aparecer muitas rochas soltas, uma espécie de cascalho, mas arredondado. Caminhamos mais um pouco e já podemos ter a primeira visão do Salto longe, encrustado no verde da mata. Também vemos lá embaixo a sede do hotel com suas piscinas.

Continuamos subindo, nessa oportunidade pegamos sempre a trilha da direita para diminuir a subida, as duas crianças teriam dificuldades para aguentar o pique se escolhêssemos sair no alto da serra. Alguns metros depois há o mirante da serra com um banco para admirar o vale. Nesse ponto não subimos todo o vale, apenas dois terços dele.

Do mirante caminhamos cerca de 30 min, descendo, até chegar ao mirante da árvore, uma pequena sentinela montada sobre as raízes de um figueira centenária que dá vistas ao salto mais uma vez.

Nossa água já estava no fim, então escolhemos dividir o grupo. Enquanto eu e mais um iríamos até a bica do limão encher os cantis, os demais desceriam para o rio na que leva ao salto. Da bifurcação, a bica fica uns 600 m mata adentro. Depois de subir e descer as ravinas duas vezes, chegamos ao pequeno córrego que nasce nas encostas do vale e forma a bica, essa é a mesma água coletada e distribuída por gravidade em parte do Hotel Fazenda.

À partir da bica foi só descida até a pinguela de troncos que cruza o Rio São Pedro. Do outro lado todos esperavam já ansiosos por ver o véu da cachoeira, principalmente as crianças; por elas já teriam ido sem nós.

O trecho final, que vai do rio ao salto, é o mesmo que inicia na porteira para quem vem de carro até próximo da queda. São 10 min bem demarcados e com piso regular. Logo do início passamos por uma gruta, que nessa época se resume a uma poça de água.

Salto São Pedro

Alguns metros à frente avistamos pela primeira vez a cortina de água. Aos poucos ela vai se revelando por completo. Hoje há toda uma estrutura para caminhar nas margens sem ficar saltando de pedra em pedra. As passarelas de madeira levam até a base do Salto São Pedro e acrescentam um charme especial ao local, além de tornar a situação mais segura.

Após explorar a cachoeira, retornando à sede do hotel pela estradinha dos carros, cerca de 1,5 km, e fazer um lanche no gramado do camping, foi a vez de subir a estrada para a tirolesa gigante.

A tirolesa de aproximadamente 500 m de comprimento e mais de 180 m de altura se inicia lá no alto, próximo a estrada municipal e termina no meio do cânion. Recebemos as instruções na plataforma de chegada e fomos levados até o lançamento por uma camioneta.

Não é tão assustadora quanto parece, os primeiros metros são dentro da mata, escondendo o precipício abaixo. Depois de soltar o corpo no vazio não há como desistir, se desmaiar de medo, chega lá embaixo apagado, mas chega.

Quando a descida começa a acelerar o precipício se apresenta. Centenas de metros acima do solo, suspenso apenas por uma cadeirinha e dois cabos guias. O coração parece que vai sair pela boca, os 50 segundos duram uma eternidade. Até que o barranco vai crescendo, os gritos da plateia aumentam e sentimos o impacto nos freios até a descida parar. Suando frio, a respiração normaliza, resta tirar o equipo e retomar a estrada.

Nossa próxima parada foi o Sítio Santo Antônio, a 13 km do Luar de Agosto, do outro lado da cidade. Encontramos tudo muito diferente do que vimos da última vez. Primeiro o que nos deixa contente é ver o carinho com que os proprietários cuidam de tudo, hoje já possuem na área de camping: banheiros com chuveiro, a trilha da cachoeira está bem demarcada e com chão regularizado, e a casa do sítio agora comporta uma área de refeições onde logo será aberto um restaurante colonial. O segundo ponto que nos perturbou, é o desmatamento do entorno, aquelas encostas que eram cobertas de verde, deram lugar a enormes clareiras e aspecto de savana, apesar de belo, não tem nada a ver com o lugar.

Nos alojamos no camping, e depois de montar a barraca e preparar o material para a fogueira fomos até a cachoeira. A trilha de 500 m é acessível a qualquer público, bem demarcada e com corrimões na maior parte, conta ainda com uma plataforma que chega a poucos metros da queda imponente, essa foi uma melhora de impacto, já que as fotos agora ficam muito melhores desse ângulo. O ponto ruim é que por segurança, devido a imprudência de alguns, o acesso a parte alta foi bloqueado.

Retornamos ao acampamento onde preparamos o jantar, contamos boas histórias sob a luz de um luar incrível. As crianças aproveitaram para assar marshmallows e brincar com as luzes do bombril acesso na fogueira.

Grupo no acampamento

Dia Segundo - O abismo

Nosso domingo começou vagaroso, só acordamos às 07:00. Contudo fomos os primeiros a acordar, só havia barulho de pássaros, principalmente pica-paus que catavam larvas nos troncos mortos sobre o acampamento.

Desmontamos tudo e às 08:10 fomos à sede do sítio para o café colonial. A refeição é perfeita. Diferente daqueles cafés coloniais tradicionais com uma dezena de pães e tortas. Aqui é rústico, pão caseiro com manteiga natural, geleia de morango, doce de leite do sítio, e queijo branco perfeito. Para beber; café, leite, achocolatado. Não sei se o sabor completa a magia do sítio ou se o sítio empresta magia ao sabor. Resumindo comemos dois pães, um queijo e cerca de dois litros de café. Gostamos tanto que na saída ainda compramos mais pão, doce de leite e queijo. O pão é um exagero, no final do dia tínhamos ainda 3 pães inteiros e cerca de 8 francês.

Nos despedimos e pegamos a estrada para a cidade, numa altura, dois quilômetros antes da área urbana, mudamos de direção. Dessa feita vamos no sentido interior, rumo aos cânions. Um deles em específico vai atrair nosso dia; o Cânion do Arreio por onde corre o leito do Rio Chicão.

A primeira parada é na primeira ponte sobre o rio. Descendo à direita, alguns passos depois já estamos na Cachoeira Chicão I. É uma queda majestosa, apesar de seus pouco mais de 10 m. Nessa ocasião a estiagem deu outra roupagem ao rio deixando o bailar das águas bastante pobre e apagando um pouco a beleza, bem diferente da cachoeira que encontramos anos atrás.

Cachoeira Chicão I

Do outro lado do Chicão I a trilha continua em meio a vegetação, é uma série de trilhas, a maior parte delas desemboca no mesmo destino: a trilha que margeia o rio até a próxima queda.

Com 20 min de trilha chegamos na parte alta do Chicão II, também diferente daquela de 2019. Devido aos acidentes que ocorreram recentemente a parte superior da queda foi cercada e tem agora um portão à chave. Compreensível a preocupação com a imprudência que gera acidentes e prejudica, inclusive, à população que depende do turismo, mas, o acesso aos rios não podem ser proibidos. Para não complicar as coisas, escolhemos aproveitar a parte baixa do salto.

Cachoeira Chicão II

A descida é bem inclinada e escorregadia, em alguns trechos há raízes ou pneus que dão apoio, mas em outros é necessário se virar como dá. A queda impressiona pela violência que rebenta nas pedras lá embaixo. O peso da água se precipitando de 45 m forma um poço profundo e agitado, nos barrancos vemos buracos e cavernas esculpidas pela agitação. A névoa da água forma belos arco-íris inspirando uma magia única.

Na parte mais calma do piscinão a areia se acumula formando um doce, límpido e gelado canal, ideal para refrescar nos dias de calor. Foi aí que aproveitamos para fazer nosso lanche antes de subir a encosta.

A última parada foi também o local mais impressionante. Em uma propriedade particular restrita temos acesso ao Cânion do Arreio e a cachoeira Chicão III, que de outra forma ensejaria um acesso complicadíssimo por dentro do cânion.

O primeiro contato com o cânion é assustador, chegamos a um mirante na borda do precipício com vista para a cachoeira, quase 300 m lá embaixo. Apenas alguns tiveram coragem de se aproximar, os demais preferiram a segurança e a farra dos animais na casinha construída mais acima.

Enquanto eu e a Bruna descemos para dentro do cânion os demais prepararam o almoço, um assado com pão e salada de tomate enquanto conversavam com o proprietário, um senhor simpático e de bom papo, que chegara lá.

A descida pelo sítio é muito fácil, a trilha é bem definida e cuidada pelo proprietário, possivelmente seja a trilha mais bem zelada de todo o município. E para complementar o visual lá embaixo é de tirar o fôlego. Além da cachoeira principal de 54 m o rio forma inúmeras piscinas ideais para banho.

Já caía a tarde quando batemos o cadeado e tomamos a estrada de volta para a casa. E da mesma forma que fomos presenteados na ida com o nascer do sol, agora o pôr do astro coloriu o horizonte de dourado.

Aos poucos os tons foram ficando róseos, depois cinzas e por fim o breu nos acompanhou nas última hora de estrada.

Pôr do Sol incrível

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