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  • Foto do escritorJonas Silva

Road Trip em Busca do Sol - De Torres à Palhoça

Atualizado: 23 de mar. de 2022

Estamos em Torres, no limite entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já vivemos boas experiências que podem ser acompanhadas nos posts anteriores:


Dia Sexto: Quebrando o encanto


Falésias do Parue da Guarita

É nosso sexto dia de estrada, em fim estamos no local que inspirou essa road trip, não contamos ainda. O ano era 2016 e fazíamos nossa primeira viagem de duração mais longa, no estilo road trip. Na oportunidade alugamos um chalé em Garopaba, e assim que entramos vi na parede um quadro daqueles antigos, com algumas kombis, jovens e trajes de banho todos aglomerados na areia. Na hora lembrei da infância, quando o mais próximo de viajar que estivemos era nas histórias dos outros, ou em escassos quadros e fotos de revistas. Era o tipo de foto que sempre estava presente.

Com essa mentalização eu ouvia curioso as histórias dos poucos viajantes que conheci. Em um cantinho do quadro a indicação "Torres - RS" levou-me para um lugar que ainda não havia ouvido falar.

Depois de chegar no dia anterior e fazer uma breve caminhada na praia. Hoje voltamos direto para as belíssimas falésias do Parque da Guarita. Esse imponente maciço rochoso que soergue da areia. São quase 5 km de trilhas e escadas que descem as paredes até grutas escavadas pelas ondas ou, margeiam os paredões.

Na parte superior do platô as gramínea rasteiras são excelentes para um cochilo, também para as abelhas que pousam de flor em flor coletando sua matéria prima.

Quando termina o primeiro bloco a praia mais famosa do lugar, a Praia da Guarita, com a torre de granito imponente de quase 40 m bem no meio da areia. Nesse dia bastante nublado, os banhistas eram muito poucos, mas estavam quase todos nessa praia, a única com água mais clara do município. Descemos, mas não houve coragem de entrar devido a temperatura da água ser muito fria. Por último subimos o Morro da Guarita para lá de cima ver a Praia de Itapeva, infinita no sentido sul. E um trenó desenhado na areia da Praia da Guarita, estamos no período das festas.

Praia da Guarita

O dia cinza, a água suja e fétida em alguns pontos, a temperatura gélida quebraram o encanto. Não fosse as falésias imponentes e o farol sul do Mampituba que à noite ganha um colorido especial, ficaríamos decepcionados.

"A magia dos lugares que idealizamos torna-os mágicos e incríveis, justamente pelo fato de que são 'idealizados' e não reais".

Outra face um tanto injusta de Torres é o Rio Mampituba que a separa da cidade irmã, Passo de Torres. Enquanto a gaúcha é imponente com seus edifícios espetaculares, ruas pavimentadas etc. a irmã contrasta pela simplicidade; ruas de areia, esburacadas, comércio de esquina e casas bem simples. Um contraste bem forte e difícil de ser engolido, sabendo que as duas cidades possuem o mesmo potencial só estão separadas por uma fronteira que não explica tanta divergência.



Dia Sete: Na estrada novamente

Levantamos e organizamos a tralha colocando tudo na Gorila antes ainda do café da manhã ficar disponível. Às 08:00 já estávamos na estrada.

A pesar da imponência de Torres, foi muito fácil sair da cidade, mesmo em um horário que seria de pico em qualquer cidade grande, aqui a população residente não chega a 50k, população de cidade pequena. Contudo na temporada pode chegar 240k com os turistas.

Novamente em SC, Passo de Torres, fomos até a orla. Outra vez ficamos estarrecidos com a diferença de infraestrutura. A rua da orla é muito precária, o descaso com o lixo e a coleta de esgoto é evidente. Apesar disso a cidade ainda possui alguma estrutura, bem diferente dos próximos lugares.

Demos meia volta e fomos conhecer o Morro dos Macacos, um refúgio natural para conservação do habitat do macaco prego. Para chegar lá pegamos a última saída à direita da rodovia municipal Pref. João Luiz da Silva, e seguimos por 6 km até a placa que indica a estrada à esquerda que leva ao refúgio.

Fomos recebidos pelo proprietário, muito simpático, que demonstrou um carinho muito grande com os primatas. Demos sorte, pois uma das famílias estava no galpão e faziam a maior festa com a comida recebida. O cuidador acompanha o tempo todo a interação com os macacos, pois já houve acidentes quando os curiosos tentavam dar comida para os bichinhos. Alguns macaquinhos sobem no ombro do visitante.

Depois de mais uma conferida no lago, pois o proprietário disse haver um jacaré ali, fomos fazer a trilha mais longa do refúgio, com quase 5 km de extensão.

A trilha é em meio a mata, cruza por figueiras gigantes e muitas espécies da região. O tempo todo é autoguiada e termina na margem da Lagoa de Sombrio, um gigante espelho de água com centenas de quilômetros quadrados que movimenta as comunidades do entorno.

De volta à estrada, seguimos por estradas rurais secundárias, cruzando plantações de eucaliptos e grandes áreas alagadas até chegar no Balneário Rota do Sol, depois Praia do Sumaré e, então na Praia de Bela Torres, no Balneário Gaivota.

Todas as praias no caminho muito parecidas; quase nenhuma infraestrutura, apenas alguma passarela de madeira entre a rua e a praia e escassas casas. Contudo, a água já começava a ficar nitidamente mais limpa.

Aproveitamos para almoçar no Balneário Gaivota, porque foi o único lugar onde encontramos um restaurante nos últimos quilômetros.

Nossa próxima parada seria a Lagoa Cortada, no entanto chegar nela foi um parto. Na estrada beira mar, encontramos uma região pavimentada, de ruas largas, achamos ser uma construção municipal e cometemos o erro de entrar num portal de madeira. Uma vez para dentro as ruas não tinham saída, sempre terminavam em alguma cerca, logo demos conta de ser um condomínio fechado.

Com raras casas, mas todas muito bem estruturadas, terrenos enormes, praças e ruas pavimentadas, chama a atenção tamanho empreendimento numa região tão erma. Essa seria a primeira face de uma realidade que não imaginávamos encontrar a partir dali.

Quando nos livramos do labirinto pudemos ir até a Lagoa. Ficamos decepcionados. É um espelho de água cercado de dunas e com muitas taboas, provavelmente tenha se formado com a retirada areia do local, aí uma justificativa para o nome.

Região erma, é possível ver algumas aglomerações de casas no horizonte a quilômetros de distância.

Retornamos à beira mar parando nas praias do Maracujá e Guaracá. Como não fomos direto pela praia, elefantes brancos. Um contraste que nos marcou. Grandes áreas cercadas e loteadas, com ruas mal acabadas, na verdade ruas que foram construídas e depois abandonadas, certamente pela inviabilidade econômica. O mais intrigante é dentro desses "condomínios", algumas casas muito pobres, várias delas erguidas com restos de construção e lata, certamente invasões. A cena se repete com alguma regularidade. O motivo da pobreza? Acredito ser o mesmo de outras regiões que já estivemos: os originários vendem suas terras para mega empresários sob a promessa de empregos e progresso, quando o empreendimento falha, ficam sem emprego e sem o prometido futuro. Como a região não possui indústrias, a única forma de sobrevivência é a agricultura, pesca e coleta, no entanto, como não possuem mais suas terras, são empurrados para uma vida à margem da sociedade. Alguma coisa muito errada deve estar acontecendo nessa região, não faz sentido tantos investimentos fracassados da mesma forma, e ainda continuam acontecendo!?

Areias do Balneário Arroio do Silva

Finalmente chegamos ao acampamento no centro do balneário Arrio do Silva. Depois de montar acampamento, fomos para o Morro dos Conventos, outro aglomerado de rochas bem no meio das grandes extensões de areia dessa região. Mais modesto que o Parque da Guarita, no entanto devido ao dia limpo foi muito agradável, e a vista da rampa de parapente lavou a alma de um dia intrigante.


Dia Oitavo: Em terras conhecidas

Mais uma vez organizamos tudo na Gorila antes das 07:00, e fomos à Praia do Arroio do Silva. É uma orla de areia fina e dura, com água mais limpa que a de Torres, mas ainda longe daquela água clarinha que estamos acostumados ao lembrar do litoral catarinense.

Pegamos a estrada secundária e cruzamos a balsa para o município de Hercílio Luz onde pegamos uma estradinha menor até o Balnéario Quatro Ilhas, um lugar aconchegante, sem grande movimento, que margeia o Rio Araranguá.

Balneário Quatro Ilhas

Por estradas secundárias e terciárias chegamos ao Balneário Rincão. Surpreendentemente é um local com muita infraestrutura. Grandes construções e áreas públicas muito bem conservadas, inclusive uma praça central com muitos trailers parados e um grande deck de frente para o mar.

Nossa próxima parada foi no Balneário Esplanada, onde encontramos um restaurante para almoçar. O balneário é uma repetição do que tem sido os últimos dias: uma larga faixa de areia dura e fina, com água cada vez mais clara. No horizonte, para ambos os lados a praia some da vista causando distorções no horizonte.

Entramos novamente na região erma, e a situação dos grandes empreendimentos falidos voltou a nos incomodar. Passamos o Balneário Campo Bom, e no Balneário Arroio Corrente, pela primeira vez entramos na praia com a Gorila. Minha preocupação era sair dela. Entrar em um lugar e sair no outro parecia inviável. Aqui no Corrente vi rastos de veículos pela praia, e resolvi arriscar. Percorremos cerca de 5 km até Balneário Nova Camboriu quando voltamos para a estrada.

Às 15:20 saímos na SC 100 que nos levaria ao Cabo de Santa Marta, em oito dias era a primeira vez que estávamos em local conhecido anteriormente. Antes do Cabo paramos no maior sambaqui do mundo, o Elefante Branco que está na Barra do Camacho. Saímos de lá com chuva.

Escolhemos passar a noite no Cabo de Santa Marta porque em 2016 estivemos aqui para ver o pôr do Sol na Praia da Cigana, fomos frustrados pela chuva. Dessa feita, assim que montamos o acampamento no camping Pousada do Cardoso, saímos na areia e caminhamos para o Morro da Cigana esperar pelo espetáculo.

Já no caminho as nuvens foram aumentando e os primeiros sinais de chuva apareceram. Não desistimos e caminhamos os cerca de 4 km até o morro. Chegamos lá com os raios do Sol formando belas faixas no céu do horizonte. Aos poucos as nuvens iam fechando, mesmo assim pudemos presenciar um belo show de luzes douradas e escuras num tom melancólico.

Quase um pôr do Sol na Praia da Cigana

Dia Nono: Pouco antes de Parar

Não tínhamos pressa, então saímos mais tarde, depois de fazer boas amizades no camping.

Nossa primeira parada foi em outro ponto que havia ficado para trás em 2016. Naquela oportunidade acabei atolando o carro nas trilha da Praia do Ypuã e desisti. Agora eu estava determinado a chegar lá.

Ponta do Ypuã

A trilha não vai mais pela praia, ela segue um corte na areia até as poucas casas que lá existem. São todas grandes mansões, e como aquelas da Praia da Galheta estão sob judicie, por estarem em uma área pública sem a devida regularização.

O Ypuã é uma praia quase deserta, não há turistas, só os moradores. É um ponto de um beleza ímpar e deve ser mantida como está

Satisfeito o desejo de chegar lá, tomamos a SC 100 novamente e depois de parar em Laguna mais uma vez (depois que bebemos aquela água da fonte em 2016 é a terceira parada aqui), pela SC 436, tomamos a BR 101 até o KM 243 Norte, quando saímos na Estrada Morretes para a Enseada da Pinheira onde iríamos passar um tempo no Vale da Utopia.

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